Quem é, como vive e o que pensa o homem mais rico do planeta

Entrevistamos Carlos Slim, o empresário mexicano que desbancou Bill Gates no ranking dos bilionários. Ele tem um pé na velha e outro na nova economia, não usa computador, mas ganha dinheiro como ninguém na era da globalização. Quem faz sua cabeça é o futurólogo e amigo Alvin Toffler

Estela Caparelli, da Cidade do México
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Quando o táxi entra no bairro de Lomas de Chapultepec, penso que não haveria lugar mais apropriado na Cidade do México para abrigar a casa e o escritório do novo homem mais rico do mundo, o mexicano de origem libanesa Carlos Slim Helú. Em "Las Lomas", como a área é conhecida, casarões e edifícios assinados por arquitetos mexicanos de renome, como Luis Barragán e Ricardo Legorreta, foram erguidos sobre os terrenos mais caros do país. Na rua Paseo de las Palmas já se avistam pela janela do carro os jovens executivos bem vestidos que trabalham nas empresas vizinhas de Slim, os bancos JP Morgan e Tokyo-Mitsubishi. "O 736 é ali", diz o taxista, apontando para o edifício de três andares onde fica a sede do Grupo Financeiro Inbursa, que abriga o escritório do empresário. O prédio nada tem de especial. No pequeno hall principal, piso e paredes de mármore. Passo pela recepção, subo dois lances de escada e me sento em um sofá de couro, à espera de um sinal da secretária para chegar ao homem mais poderoso do México, cuja fortuna e influência são motivo de conversas apaixonadas entre os mexicanos de todas as classes sociais. O gosto espartano sugere que os decoradores não têm influência por aqui, mas essa sensação de simplicidade se dissolve quando os olhos pousam nas pinturas e esculturas da coleção particular de Slim, distribuídas pelo ambiente. Elas são uma das glórias pessoais do empresário e ocupam todos os cantos e paredes. Trabalhos de pintores como Van Gogh, Renoir e Diego Rivera dividem espaço com A Primavera Eterna, uma das centenas de obras do escultor francês Auguste Rodin adquiridas por seu maior colecionador privado, o próprio Slim.

UM SENHOR ENTRA NA SALA E FAZ UM GESTO CALOROSO. É ELE, SLIM

Sou chamada para a entrevista e descubro que o controlador da Claro e da Embratel brasileiras despacha em uma sala ampla e austera, de cerca de 80 metros quadrados. O lugar transpira sua presença. No canto direito, há uma mesa rentangular repleta de papéis e sem computador. O empresário não usa nem nunca usou esse tipo de equipamento. Não lê documentos na tela nem envia ou recebe e-mails. Slim costuma dizer que toda a informação necessária para tomar uma decisão de negócios tem de caber em uma folha de papel. Encostado na parede, perto da porta principal, está um conjunto de sofás de couro verde e um cinzeiro de cristal onde repousa um isqueiro, pista da presença de um aficionado por charutos Cohiba, dos quais fuma pelo menos dois por dia. Ao lado dos sofás, em um pedestal, a escultura Os Últimos Dias de Napoleão, do escultor suí­ço Vicenzo Vela ("Está lá para que ele não esqueça de que é preciso ter sempre os pés no chão", diz uma fonte próxima ao empresário). No canto esquerdo, uma parede repleta de livros com temas relacionados a história, economia e seu esporte predileto: o beisebol. Ao lado, está a mesa de reuniões oval, tomada por papéis. Cercando o lugar, óleos de pintores como os mexicanos Gerardo Murillo e José Maria Velasco. A decoração reflete, a seu modo minimalista, alguns dos princípios centrais do modelo slimiano de administração: praticidade, austeridade, adoção de estruturas simples, investimento em ativos rentáveis.

Um senhor de estatura média e gestos calorosos, entra, afinal, no escritório. É Slim, tem 67 anos. Está vestido com uma camisa social branca com suas iniciais bordadas e uma gravata verde-menta, sem paletó. Na conversa que se seguiu, o titã latino fala de sua receita pessoal de administração, de globalização e de temas como Brasil, redistribuição de riqueza e até mesmo felicidade. Não se recusou a responder nenhuma pergunta. De bom humor, sentado a minha frente com o braço apoiado na cadeira ao lado, apenas endureceu o tom ao comentar o lance épico mais recente de sua biografia: ter sido apontando, no mês passado, como o homem mais rico do mundo, desbancando o fundador da Microsoft, Bill Gates, que ocupa há 13 anos o topo da lista da fortuna da revista Forbes. O fato, anunciado por um respeitado site mexicano de economia, o Sentido Común, que acompanha a evolução da fortuna de Slim na bolsa, provocou toda sorte de comentários e atraiu uma avalanche de atenção indesejada. Novamente, abriu-se o debate sobre o virtual monopólio da Telmex, que tem 91% da telefonia fixa do México. Falou-se, claro, sobre o paradoxo que representa a riqueza faraônica de Slim em um país com tantos milhões de pobres. Outra vez se discutiu quanto o empresário dedica à filantropia, quando comparado a doadores generosos como Gates ou Warren Buffett, o terceiro da lista da Forbes.

Na entrevista, Slim fez questão de desdenhar a sua nova posição de homem mais rico do planeta. "Não recebi essa notícia, mas é irrelevante", diz ele, com semblante pesado. "Não é uma competição. Não estou jogando futebol." O que o preocupa, afirma, é quanto suas empresas estão investindo e o que está acontecendo com elas. Seu principal desafio, explicita, é usar a Fundação Carso e outros braços filantrópicos de seu grupo para combater a exclusão e a pobreza, investindo em saúde, educação e emprego. A verba é de US$ 10 bilhões nos próximos quatro anos. "Ninguém leva nada deste mundo quando morre", afirma. "A riqueza deve ser administrada com eficiência, probidade, eficácia e sobriedade."

Existem atalhos para se entender a personalidade do homem que detém o equivalente a 7,5% do PIB do México (uma comparação, aliás, que ele abomina). Em primeiro lugar está o pai, um comerciante libanês que chegou ao Novo Mundo próximo às convulsões políticas da revolução mexicana, no início do século 20. Como o pai, Slim é um homem de família, que vive cercado por filhos e genros, na vida e nos negócios. Como ele, também, é um negociante obstinado, herdeiro de uma tradição libanesa que vem dos fenícios, os primeiros vendedores internacionais do planeta. Diferentemente de outros bilionários recentes, Slim não é um homem moderno no sentido tecnológico ou cosmopolita da palavra. Formou-se na velha economia e seus ídolos empresariais são Warren Buffett - com quem aprendeu a comprar na baixa - e Jean Paul Getty, morto em 1976, colecionador de arte e magnata americano do petróleo. Getty cunhou em 1957 a frase famosamente melancólica: "Um bilhão de dólares não é mais o que costumava ser". Slim descobriu Getty ainda jovem, lendo uma reportagem na revista Playboy.

Estatísticas de beisebol

 Antiquado, o criador dos celulares pré-pagos no México gosta de coisas antigas, como Sofia Loren e boleros. Seus filmes favoritos são Tempos Modernos, de Charles Chaplin, e El Cid, um épico de capa e espada com Charlton Heston no papel principal. Sua simplicidade pessoal é legendária: veste as gravatas da própria loja, a Sanborns, e se diverte sozinho refazendo à mão estatísticas sobre beisebol. Não usa computadores, embora conte, entre seus melhores amigos, com o cientista americano Nicholas Negroponte - o pai do computador de US$ 100, a quem prometeu desembolsar US$ 50 milhões para distribuir as máquinas entre estudantes mexicanos e da América Central - e Alvin Toffler, o futurólogo. Esse é uma espécie de mentor do empresário e de seus filhos, a quem costuma dar palestras domésticas, informais. Durante a entrevista, mais de uma vez Slim se apoiou nas idéias de Toffler para explicar as suas próprias, como ao definir o novo mundo dos serviços criado pela tecnologia e a educação: "A maravilha dessa nova civilização é que ela se desenvolve e se sustenta com o bem-estar dos demais. A ninguém mais convém explorar outra pessoa, a pobreza".

JOVEM, SLIM DESCOBRIU O MAGNATA PAUL GETTY. TORNOU-SE SEU ÍDOLO

Há uma história contada por Arturo Ayub, o genro de Slim, que ajuda a entender como a falta de informação tecnológica é incapaz de embotar a astúcia natural do homem de negócios. Diz Ayub: "Eu comecei a Prodigy, um provedor internet. Um dia, cheguei muito satisfeito a uma reunião dizendo que já tínhamos 90 mil usuários. Slim me perguntou: 'Mas como, apenas 90 mil?' Eu expliquei que tínhamos um problema para a expansão, porque não havia tantas pessoas com computador no México. Então ele disse: 'O problema é que as pessoas não têm computador? Então, vamos vender computadores de forma facilitada para elas'. Do nada ele criou um esquema de financiamento de computadores em 24 meses, sem juros, com as parcelas debitadas na conta telefônica. Posso dizer a você que, hoje, a Telmex é a maior vendedora de computadores no México. Vendemos, desde 1999, mais de 1,3 milhão de computadores. No começo da promoção, vendíamos 3 mil computadores ao dia".

Desde que o site editado pelo jornalista financeiro Eduardo García o colocou no topo de ranking dos mais endinheirados do planeta, Slim vem tratando de minimizar a repercussão dessa informação. Liderar a lista de bilionários significa superexposição e má publicidade: uma péssima combinação, no momento em que suas empresas preparam decisões estratégicas de expansão. E se há uma coisa que pode tirar "o engenheiro" do sério, dizem os que o conhecem, é ser atrapalhado em sua discreta e eficiente rotina de negócios. Mas, goste ele ou não, a lista existe e nela o valor de mercado das ações de Slim é de US$ 62,9 bilhões, superior aos US$ 56 bilhões de Gates e aos US$ 52,4 bilhões de Buffett divulgados pela revista Forbes em março deste ano.

Medida em ativos, mais do que em cifras, a fortuna de Slim é impressionante. Ele controla ou participa de mais de 200 empresas, atuantes em setores tão diversos como telecomunicações, mineração, alimentos, serviços financeiros e restaurantes. Os mexicanos costumam dizer que é impossível viver um dia no país sem comprar algum produto ou usar algum dos serviços das empresas do Grupo Carso. No Brasil não existe ninguém tão remotamente poderoso. O banqueiro José Safra, por exemplo, é o brasileiro mais bem colocado na lista da Forbes. Ele divide a posição número 119 com outros oito bilionários internacionais, donos de uma fortuna de US$ 6 bilhões cada um. A riqueza de Safra, entretanto, corresponde a somente 0,3% do PIB brasileiro, de US$ 1,77 trilhão. Se alguém no Brasil fosse dono de 7,5% do PIB, a fortuna desse superbilionário hipotético seria de US$ 133 bilhões - ou 22 vezes a fortuna de José Safra.

Como Slim reage a isso? "Fico muito contente que exista uma empresa que, a partir do México, um país em desenvolvimento, tenha criado uma companhia transnacional como a América Móvil, que cria valor para os investidores e compete globalmente, e com sucesso, com os grandes do mundo", afirma. "É importante que a globalização possa ser feita a partir de nossos países, como a Vale do Rio Doce está mostrando. É formidável."

A história da extraordinária acumulação de Slim começou em 1966, quando ele, com apenas 26 anos, já tinha o equivalente, na época, a US$ 400 mil, obtidos com investimentos na bolsa e suporte do patrimônio familiar. Nessa época, recém-casado com Soumaya Domit Gemayel, com quem viria a ter seis filhos, lançou-se no mundo dos negócios adquirindo empresas no setor imobiliário, de construção civil e engarrafamento de bebidas. Nas duas décadas seguintes, seu grupo teve um crescimento gradativo, típico dos padrões mexicanos. Em 1982, tudo mudou. Desafiando o espírito de manada, ele foi às compras em meio a uma das mais severas crises da moderna economia mexicana. Enquanto os investidores estrangeiros e locais tentavam se desfazer de seus ativos a qualquer preço, Slim fez o contrário: comprou mineradoras, lojas de varejo, fábricas de cabos e muito mais. Formou, ao longo da crise e de seus efeitos, o maior conglomerado econômico do país - o Grupo Carso - que fatura por ano US$ 8,5 bilhões. Essa foi a primeira fase de sua metamorfose econômica. "As decisões que tomei naqueles anos me fizeram lembrar a decisão tomada por meu pai em 1914, quando, em plena revolução mexicana, comprou do irmão 50% do negócio (da família), colocando em risco todo o seu capital e seu futuro", disse Slim ao biógrafo José Martínez.

A segunda metamorfose teve lugar em 1990, quando, em companhia da France Telecom, da Southwestern Bell e de outros 35 investidores mexicanos, entrou no leilão das privatizações e arrematou o controle da Telmex, gigante estatal das telecomunicações. Foi assim, pela escada da telefonia, que ele chegou à cobertura do mundo internacional dos negócios. Suas duas companhias telefônicas, a Telmex e a América Móvil, valem, juntas, 16 vezes mais do que o Grupo Carso, que tem quatro décadas de existência. Em 1991, quando seu nome apareceu pela primeira vez na lista de bilionários da Forbes, Slim era conhecido apenas por umas poucas pessoas do mundo empresarial mexicano. Naqueles tempos, dirigia um Thunderbird 1989 e tinha uma fortuna estimada em US$ 2,1 bilhões. Agora, passados 17 anos, ele domina o setor de telecomunicações na América Latina, é um rosto conhecido no mundo inteiro e tornou-se, a contragosto, o homem mais rico do planeta.

Desde a infância, Slim teve seu pendor para negócios estimulado pelo pai, Julián Slim Haddad. Ele é o quinto dos seis filhos do casamento de Julián com a mexicana de origem libanesa Linda Helú. Segundo seu biógrafo, Slim foi, entre todos os irmãos, o herdeiro das habilidades paternas. Desde pequeno, observava o pai comprar mercadorias em outros países e revendê-las em sua loja na Cidade do México. Aos 12 anos, abriu uma conta bancária com cerca de US$ 400. Com 16 anos, comprou suas primeiras ações do Banco Nacional do México, hoje controlado pelo Citigroup. Por exigência do pai, Slim passou a anotar em cadernos com capa de couro o valor de suas movimentações financeiras. Guarda esses cadernos até hoje. No final dos anos 60, enquanto os jovens das famílias endinheiradas do México aproveitavam a vida em Paris, Slim começava a construir o Grupo Carso.

O MÉXICO NÁO É A CHINA

Ao contrário de Gates - seu sócio desde 2000 no portal de internet Prodigy MSN - Slim é, essencialmente, um empresário da velha economia que comprou um pedaço lucrativo da nova economia. Além de não usar computadores, ele não gosta de falar inglês em público nem tem um título de MBA pendurado na parede. O que diferencia esse engenheiro civil dos demais empresários é seu faro incomum para encontrar bons negócios e sua habilidade para implementá-los. Slim é um estrategista com talento excepcional, senso de oportunidade e clareza ao lidar com números. Não fosse assim, não teria conseguido forjar no México uma fortuna da magnitude daquela que forjou. A economia mexicana, embora relevante, não é a maior nem a mais dinâmica da América Latina, um continente por sua vez secundário na economia global. O México avança ao passo de 3% ao ano, não oferecendo as oportunidades criadas pelo crescimento galopante de 9% ao ano da China. De sua população de 107 milhões de habitantes, 49% estão em situação de pobreza estatística. Não se trata de um criadouro natural de bilionários.

LANÇAMENTO DO PRÉ-PAGO NO MÉXICO FOI BATIZADO DE "PLANO GILLETTE"

Ainda assim, Slim é Slim. Por quê? Em parte, pelo mesmo motivo que ajudou Bill Gates a reinar absoluto por 13 anos na lista da Forbes: monopólio. Gates tem o Windows, que funciona em mais de 90% dos computadores do mundo. Slim tem o mercado mexicano de telefonia fixa na mesma proporção: exatos 91%. Tanto Gates quanto Slim enfrentam competidores, mas ambos têm conseguido manter níveis elevados de controle dos seus mercados. A outra alavanca na fortuna dos dois é a bolsa de valores. Slim se beneficiou, nos últimos anos, de uma multiplicação quase bíblica no valor dos papéis mexicanos. Sua fortuna pessoal em ações equivale à metade do valor da bolsa mexicana, cujo índice subiu 49% no ano passado. Por isso, sua riqueza cresceu mais de US$ 20 bilhões no último ano. Gates também se tornou Gates embalado pelos ventos da bolsa americana.

Se é verdade que a receita do mercado mexicano de telefonia fixa ajudou Slim a expandir seu império, também é verdade que ela não é a única responsável pelo crescimento assombroso da fortuna do empresário. A maior evidência disso é a América Móvil, empresa de telefonia celular do grupo, com 125 milhões de clientes e faturamento de US$ 22 bilhões. Ela começou como uma divisão de celular da Telmex e ganhou vida própria em 2000. Metade da fortuna do empresário vem da participação de 30% que ele detém na companhia, que equivale a US$ 32,6 bilhões. No segundo semestre, as ações subiram 26,5% em razão do desempenho da empresa, segundo a agência Sentido Común. Isso é resultado de uma tacada certeira feita lá atrás: a introdução dos celulares pré-pagos.

Há 12 anos, durante uma reunião com seus colaboradores, Slim apresentou uma proposta para aumentar as vendas de celulares: "Vamos lançar o Plano Gillette". Sua idéia era adotar na telefonia a lógica da empresa norte-americana, que vende o aparelho de barbear e, depois, mantém os clientes cativos vendendo lâminas. "Ele me pediu que procurasse um modelo de pré-pago no mundo, mas não havia nada no mercado. Tivemos de desenvolver a tecnologia internamente", diz Ayub que, na época, estava encarregado do projeto. Com um produto acessível aos consumidores mexicanos, Slim abocanhou o mercado. Em 1990, a divisão de celulares da Telmex que deu origem à América Móvil tinha 35 mil clientes. Hoje, tem no México 43 milhões de usuários, dos quais 40 milhões usam pré-pagos. Com isso, Slim detém 77% do mercado celular mexicano, enfrentando, entre outros concorrentes, a poderosa Telefónica, que atua no país com a marca Movistar.

Seus movimentos empresariais são orientados por um modelo próprio de gestão, sintetizado por ele mesmo em uma lista contendo dez mandamentos. Nela, o empresário defende estruturas simplificadas, austeridade nos gastos, ousadia nas idéias e reinvestimento no próprio negócio. Durante entrevista a Época NEGÓCIOS, acrescentou o 11o item à lista: a importância do espírito de equipe e de funcionários motivados. "São as pessoas que tornam as coisas possíveis; pessoas interessadas, motivadas, que vestem a camisa, como dizemos, e que sabem que podem alcançar qualquer desafio proposto." Ele acredita que uma empresa, qualquer que seja seu tamanho, precisa ter a mesma rapidez e flexibilidade de um pequeno comércio.

TRABALHA EM MANGAS DE CAMISA E CARREGA A PRÓPRIA AGENDA

Sua filosofia é a das empresas enxutas e flexíveis, com o mínimo de hierarquia necessário para tocar o empreendimento. Nelas não há lugar para estruturas corporativas pesadas, pompa e formalidade, sedes luxuosas, séqüitos de assessores e batalhões de secretárias, mordomias para um punhado de diretores e executivos ou modismos gerenciais. "Nunca tivemos um corporativo", afirma. "O corporativo faz muitas vezes que os operadores trabalhem para ele, em lugar de trabalhar para as operações, para o cliente, para o mercado." Se for necessário, o empresário fala pessoalmente com empregados menos graduados. Se um funcionário de um nível hierárquico mais baixo o chama para falar de um problema sério, ele atende a chamada. "Gosta de saber das coisas diretamente da fonte", diz uma pessoa que o conhece bem.

O estilo Slim nada tem de empolado. Ele trabalha em mangas de camisa e dizem que sempre carrega sua agenda embaixo do braço, para lembrar que é dono do próprio tempo. Como ele divide as poucas horas do dia entre as várias empresas e fundações? "Não divido o tempo, nunca dividi", diz ele. "Algumas vezes uma atividade demanda mais atenção e então me volto para ela." Quer dizer: ataca os problemas de frente, na hora em que se apresentam. Nos escritórios da empresa há quadros lembrando que o tempo é o bem mais precioso das pessoas e das organizações. Sobre a sua tarefa como líder de empresa, ele diz: "Meu trabalho é pensar". Slim trabalha dez horas por dia. Logo cedo, sai de sua casa no elegante bairro de Las Lomas, onde mora há 30 anos, e segue em uma Mercedes blindada até seu escritório, localizado a poucos minutos dali. Não tem helicóptero particular, mas, quando precisa voar, utiliza uma aeronave Cessna de seis lugares que pertence à Telmex. Quando chega ao escritório, costuma falar por telefone ou pessoalmente com seus filhos e genros, ou com Eduardo Valdes Acra, vice-presidente do Grupo Financeiro Inbursa, sobre a rotina de trabalho. Gosta de estar a par de tudo. Almoça normalmente com algum convidado na sala de reuniões ao lado de seu escritório ou no salão-museu que está no mesmo andar.

A FÓRMULA FALHA

 O "engenheiro" acredita em ciclos e perseverança. No período de vacas gordas, afirma, é preciso manter a austeridade, investir em modernização e, com discrição, antecipar os movimentos da concorrência. Nada de acomodação. No momento de crise, quando os ativos estão desvalorizados, é hora de ir às compras. Essa segunda parte ele aprendeu com Buffett. "Todos os momentos são bons para quem sabe trabalhar e tem como fazê-lo", diz sua regra número 9. Essa fórmula tem se mostrado acertada, mas não é infalível. Slim comprou em 2000 a CompUSA, uma cadeia de varejo de computadores americana que hoje está encolhendo diante da concorrência.

SLIM ME PREGUNTA: “SE TIVESSE DINHEIRO O QUE VOCÉ FARIA?”

Até a segunda metade dos anos 90, Slim dirigia pessoalmente todas as operações dos Grupos Carso e Inbursa, braço financeiro de suas organizações. Em 1997, decidiu se afastar do dia-a-dia das empresas após enfrentar problemas de saúde decorrentes de uma cirurgia de coração. No final do ano seguinte, colocou seus filhos e genros à frente dos negócios e se transformou em presidente honorário e vitalício do grupo. Hoje, comanda um empreendimento eminentemente familiar em sua estrutura. Seu filho mais velho, Carlos, 40 anos, é presidente do Grupo Carso; Marco Antonio, 38 anos, é diretor-geral do Grupo Inbursa; e Patrício, 37 anos, diretor da Carso Global Telecom, América Telecom e US Commercial Corp. Os genros de Slim também ocupam postos-chave nos negócios. Arturo Elias Ayub é porta-voz do Grupo Carso e diretor da Telmex. Daniel Hajj comanda um dos negócios mais rentáveis, a América Móvil. Outra pessoa influente no processo de decisões é o sobrinho Héctor, diretor-geral da Telmex. O primeiro escalão das empresas de Slim é totalmente dominado por homens. Das três filhas, apenas uma, Soumaya, trabalha com o Museu Soumaya, criado em homenagem à falecida esposa do empresário. No primeiro time de executivos do grupo há apenas cinco mulheres, nenhuma da família.

Às segundas-feiras, religiosamente, Slim reúne filhos e genros a partir das 10 horas em sua casa para um jantar. O cardápio é variado, mas quase sempre é servido um prato mexicano como chile rellenos (uma espécie de pimentão recheado com queijo) ou quesadillas (tortilhas de milho com queijo). A casa pode ser considerada austera para o padrão bilionário da família: tem seis quartos, uma pequena piscina. O único luxo são as obras de arte. Ele divide o lugar apenas com seu filho mais velho, Carlos, o único solteiro. Faz questão de dizer que não tem casas ou contas no exterior. Em mais de 40 anos nos negócios, ele jamais teve seu nome envolvido em escândalo ou denúncia. Nos fins de semana, o homem mais rico do mundo costuma se refugiar na natureza. Gosta de estar entre sequóias ou contemplar o amanhecer em Los Cabos, costa noroeste do México. "Ele é muito afetuoso, os netos o adoram. Pulam sobre ele e brincam", diz o genro Ayub. Slim confirmou que está usando seu tempo livre para escrever um livro com a história da família.

Quando lhe pergunto se é um homem feliz, ele responde rapidamente: "Creio que sim". Em seguida, flerta com a filosofia. "Mas a felicidade não é um estado, é um caminho em que há obstáculos, problemas", afirma. "O caminho da felicidade existe quando você tem claros seus valores principais e quando você é coerente com eles e consigo mesmo." Para Carlos Slim, ser feliz, aos 67 anos, é sinônimo de estar com a família, conversar com os amigos ou caminhar entre as árvores. A entrevista está chegando ao fim, o gravador foi desligado, mas ele pede a um assessor uma carta que escreveu em junho de 1994 para um grupo de estudantes. Nela, trata da questão da felicidade. Lê, então, alguns trechos em voz alta. "O equilíbrio emocional está na vida interior... É preciso evitar aqueles sentimentos que corroem a alma, como inveja, ciúme, soberba, luxúria, egoísmo, vingança, avareza... Não se pode viver com medos e com culpas..." Interrompo e observo que nessa lista da felicidade não há nada material: um paradoxo? Ele me responde com uma pergunta: "Se você tivesse muito dinheiro, o que faria?" Dou uma pausa e penso como seria minha vida com a fortuna de Slim, mas, antes que eu possa responder, ele volta à carga: "Se fosse casada, deixaria seu marido, seus filhos?" Respondo que não. Ele retoma: "Minha família. Estar bem com aqueles pelos quais tenho apreço. É isso que me faz mais feliz. Não é fazer bem as coisas bem ou ter reconhecimento das outras pessoas, entende?". Perfeitamente, senhor Slim.

“NÃO VOU LEVAR NADA QUANDO MORRER”

Dita por qualquer mortal, essa frase é só um clichê. Na boca do homem mais rico do mundo, não é. Em entrevista exclusiva a Época NEGÓCIOS, carlos Slim diz como lida com a transitoriedade da riqueza, diz o que é importante em seu modelo de gestão e define a felicidade.

Quais os pontos-chave de seu modelo de gestão? Os princípios não são novos. Têm 40 anos e estão resumidos em um decálogo (veja quadro à página 10). A eles, acrescentaria algo fundamental: a equipe, as pessoas. São as pessoas que tornam as coisas possíveis. Pessoas interessadas, motivadas, que vestem a camisa, como dizemos. E que sabem que podem alcançar qualquer desafio proposto. É preciso que exista harmonia no grupo de trabalho, que os êxitos sejam de todos.

Uma vez o senhor disse que o "importante não é a riqueza, mas o que se faz com ela". O que o senhor pretende fazer com sua riqueza nos próximos anos?
Ninguém leva nada deste mundo quando morre. Então, creio que a riqueza deve ser administrada com eficiência, probidade, eficácia e sobriedade para produzir mais riqueza. Um dos frutos da riqueza é a renda, e é preciso fazer com que exista redistribuição. Isso ocorre por via fiscal ou por via de remuneração salarial. E, com um trabalho adicional, podemos avançar naquelas coisas que não são rentáveis. É importante, por exemplo, que a população esteja bem nutrida, tenha boa saúde, boa educação. Essas coisas não são rentáveis, mas são um investimento social. Então, estamos fortalecendo nossas fundações - que, no caso da Carso (conglomerado industrial que deu origem ao Grupo Slim), têm mais de 20 anos. O desafio que tenho há quatro ou cinco anos é tratar de combater a exclusão e a pobreza através de saúde, educação e emprego. Esse é o meu desafio.

Como o senhor divide seu tempo entre as iniciativas de filantropia e o dia-a-dia de suas empresas? Não divido o tempo. Nunca dividi. Quando alguma atividade demanda mais atenção, atendo a essa demanda. Em relação às empresas, aquela em que continuo presente é a Ideal, que tem como objetivo promover o desenvolvimento e o emprego na América Latina por meio do investimento produtivo. Também cuido das fundações.

"ISSO (SER O MAIS RICO), É IRRELEVANTE - NÃO ESTOU NUM JOGO DE FUTEBOL"

A Ideal tem projetos para o Brasil? Claro. Não tenho nenhum plano concreto neste momento, mas sentimos que o Brasil tem uma força extraordinária, um potencial enorme. Creio que há um grande número de empresários notáveis, governos que têm sido consistentes em suas políticas econômicas e criaram um clima adequado para o desenvolvimento empresarial.

Qual é a situação do mercado brasileiro nos planos do grupo? É da maior importância. Temos no Brasil investimentos muito importantes em um setor que também é de infra-estrutura: a área de telefonia. Esse mercado cresce muito e vai continuar crescendo. Por outro lado, a Telmex está trabalhando com a melhor tecnologia para oferecer mais serviços e mais concorrência em todas essas áreas.

Como recebeu a notícia de ser apontando como o homem mais rico do mundo? Não recebi nenhuma notícia. Mas isso é irrelevante. Não é uma competição. Não estou jogando futebol. Me preocupa mais quanto estamos investindo e o que está acontecendo em nosso trabalho do que uma coisa desse tipo.

Mas, com essas notícias, surgiram novamente comentários de que o senhor teria enriquecido a partir de um monopólio da telefonia no México. Veja, todas as empresas do grupo enfrentam forte concorrência. Todas! E temos concorrido em todos os terrenos, como a fabricação de papel, contra grandes empresas como a Kimberly-Clark e a Scott Paper. No caso da Sanborns (principal cadeia mexicana de restaurantes, que também comercializa produtos eletrônicos, livros e medicamentos), temos a concorrência do Wal-Mart, da Starbucks e de outros restaurantes. Na área de cigarros, enfrentamos a British American Tobacco, que vocês conhecem muito bem no Brasil. Com a Telcel, na área de celulares, a concorrência entrou antes. Isso quer dizer que eles tinham o monopólio. A Telmex, nossa empresa na telefonia fixa, teve seis anos de atividade exclusiva, mas apenas em longa distância. A partir de 1996, houve concorrência. Em longa distância, concorremos com as maiores do mundo, como MCI e AT&T. Na telefonia móvel, vieram gigantes como Verizon, Vodafone e Telefónica. Então, estamos competindo há muitos anos. Na telefonia fixa, como somos os únicos que atendem aos mercados C, D e E, temos 100% . Mas nos mercados A e B há grande concorrência, que será ainda maior no futuro.

Um documento recente da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, a OCDE, diz que os preços da telefonia no México são excessivos.Nosso preço é a metade daquele praticado na Europa. Em países como Peru, Chile e Argentina, entramos como terceiro ou quarto (colocados no mercado). Essa é a realidade. É algo palpável. Não estou sugerindo que creiam ou não nesses fatos. Mas, cada vez que existe uma forte concorrência de mercado, criticam o líder para tratar de regular (o mercado) assimetricamente, enfraquecê-lo, amarrar uma mão ou um braço. Isso é algo que nunca pedimos nos

Mas no México há uma limitação: os estrangeiros não podem entrar com força total na área de telefonia porque são proibidos de controlar empresas do setor. Isso tem sido interessante, porque, apesar de haver essa proibição, eles dão uma volta ilegalmente. Operam com fundos (trust funds). Acreditamos que é uma irregularidade, que isso não deveria existir. Mas, veja, não somos contra a abertura. Não temos nos oposto na mídia.

As pessoas observam a evolução de seu patrimônio e a situação de pobreza em seu país e perguntam: como é possível que o homem mais rico do mundo esteja no México? Não é no México, é a partir do México. Você e as pessoas dizem no México, mas é a partir do México.

A partir do México, então. Mas qual seria a sua resposta? Bem, fico muito contente que exista uma empresa - oxalá existissem muitas outras - que, a partir do México, um país em desenvolvimento, tenha se tornado uma transnacional, que compete globalmente e com sucesso com os grandes do mundo. E fico contente que os investidores estejam dando grande valor a essa empresa pela forma tão eficaz como ela se desenvolveu. E que, em lugar de estar absorvendo outras empresas, ou se endividando, tenha seguido uma política que favorece os acionistas por meio de recompras e dividendos. Essa empresa, que valia zero há 15 anos, e que agora tem um valor muito importante nos mercados, se chama América Móvil. O fato de que se faça isso a partir do México ou de qualquer lugar não é importante. O importante é que a riqueza esteja sendo criada. Eu não tenho contas bancárias, apartamentos ou casas fora do país. Não vou levar nada quando morrer. Então, o fato de que em nossos países se crie essa riqueza é formidável. No Brasil, há muitas coisas sendo criadas, (grupos locais) estão comprando empresas fora do país. Que bom! É muito importante que o investimento estrangeiro não apenas flua para nossos países. É importante que a globalização seja algo que possamos fazer a partir de nossos países. Que bom que esteja sendo criada riqueza em nossos países. Um exemplo é a Vale do Rio Doce, que está em expansão. É formidável. Espero que siga crescendo.

É verdade que o futurólogo Alvin Toffler e o cientista Nicholas Negroponte têm dado assessoria a seus negócios? Eles são bons amigos, gosto muito deles. Costumamos falar do que aconteceu, do futuro, trocamos impressões. Mas eles não são assessores, são amigos.

Falando em futuro, quais são as tendências para a economia? O que deve ficar claro - e é preciso ler, mesmo, Alvin Toffler - é a mudança civilizatória. Vivemos agora numa sociedade em que a tecnologia tem avançado tanto e a produtividade é tão grande que os seres humanos podem viver, em sua grande maioria, dedicados aos serviços. Estamos numa sociedade de serviços que tem paradigmas como a democracia, a liberdade, a pluralidade, a diversidade, os direitos humanos, o cuidado com o meio ambiente. E também a concorrência, a globalização, a produtividade, a criatividade, a inovação e a intensa mobilidade social. Mas a maravilha maior dessa nova civilização é que ela se desenvolve e se sustenta com o bem-estar dos demais. A ninguém mais convém explorar outra pessoa, a pobreza. O que convém é ter gente preparada, qualificada, que tenha tempo, que tenha capacidade de compra, que tenha um bom salário. É isso que sustenta o desenvolvimento agora.

"MINHA FAMÍLIA, OS AMIGOS, A NATUREZA. ISSO É O QUE ME FAZ FELIZ" 

Como esses aspectos serão explorados por suas empresas? Há possibilidades de se desenvolver nesses novos campos de serviços. O entretenimento é muito importante. As pessoas têm muito tempo livre. Mais esportes, mais cultura, educação de mais alto nível. Há uma gama enorme de campos novos com enorme potencial de desenvolvimento.

Qual o pior erro que um empresário pode cometer? Podem ser muitos... Não ter as melhores referências mundiais, não reinvestir, não estar com equipamento de ponta, estar atrasado em sua capacidade produtiva e não oferecer qualidade de serviço ao cliente, não desenvolver seu capital humano. E há grandes erros, como querer fazer tudo às pressas, quando as coisas têm seus tempos. É preciso entender os tempos: ter uma visão de longo prazo ainda que se tenha de atuar no curto.

O que faz o senhor feliz? O que me faz feliz? Minha família, meu amigos. Conversar com amigos ou com gente de quem se pode aprender algo. A natureza me faz feliz. São muitas coisas.

O senhor é feliz? Creio que sim. Mas creio que a felicidade não é um estado, é um caminho. Não é estar feliz. É um caminho, em que há obstáculos, problemas. Mas o caminho da felicidade existe quando você tem claros seus valores principais e quando você é coerente com eles e consigo mesmo.

ALMAS QUE NÃO SÃO GÊMEAS

o novo líder dos bilionários e seu antecessor são muito diferentes, do gosto às origens

  Carlos Slim Helú   William Gates III
Origem
Filho de comerciante libanês e mãe mexicana   Filho de advogado e diretora de banco
Local de nascimento
Cidade do México, México   Seattle, Estados Unidos
Idade
67 anos   51 anos
Formação
Engenheiro civil pela Universidade Autônoma do México   Abandonou o curso de direito na Universidade Harvard
Estado civil
Viúvo   Casado
Herdeiros

Seis filhos
  Três filhos
Como se tornou um dos mais ricos do mundo
Ao liderar o consórcio que comprou a Telmex, estatal de telefonia mexicana, em 1990   Com a popularização do Windows, criado pela Microsoft, no início dos anos 90
Mérito empresarial
Transformou empresas decadentes e investiu na telefonia fixa e celular   Apostou no software num período em que o hardware era considerado mais valioso
Estilo
É o maior colecionador privado de esculturas de Rodin   É considerado o maior filantropo do mundo, com mais de US$ 40 bilhões em doações
Lazer
Freqüentar bons restaurantes. Uma vez por semana, reúne os seis filhos e nove netos para jantar   Ler livros de negócios, jogar golfe e bridge

PERFIL DO IMPÉRIO

Como se divide o maior conglomerado empresarial da América Latina

O DECÁLOGO DE SLIM
As regras de ouro do bilionário

A fórmula de sucesso de Carlos Slim é resumida por ele mesmo em uma lista contendo dez princípios básicos de seu modelo de gestão. O decálogo foi apresentado pela primeira vez a empresários e sócios na badalada festa de 40 anos do Grupo Inbursa, em dezembro de 2005. Slim diz que sua filosofia empresarial é, em grande parte, fruto da influência de seu pai, o comerciante libanês Julián Slim Haddad. O princípio número 10, porém, reflete, segundo ele, sua experiência corporativa: "O empresário é um criador de riqueza, que a administra temporariamente".

  1. Prefira estruturas simples, organizações com níveis hierárquicos mínimos, flexibilidade e rapidez na tomada de decisões. As vantagens da pequena empresa é que fazem grandes as maiores empresas.
  2. Manter a austeridade em tempos de vacas gordas fortalece, capitaliza e acelera o desenvolvimento da empresa. Desse modo, evitam-se ajustes drásticos nas épocas de crise.
  3. Permaneça sempre ativo na modernização, simplificação e melhoria incansável dos processos produtivos. Procure aumentar a produtividade e a competitividade, reduzir os gastos e os custos, guiando-se pelas mais altas referências mundiais.
  4. A empresa nunca deve limitar-se aos parâmetros do proprietário ou do administrador. Sentimo-nos grandes em nossos curraizinhos.
  5. Não há objetivo que não possamos alcançar trabalhando unidos, com clareza de objetivos e conhecendo as ferramentas disponíveis.
  6. O dinheiro que sai da empresa evapora. Por isso, reinvestimos os ganhos.
  7. A criatividade é aplicável não só aos negócios, mas também à solução de muitos dos problemas de nossos países.
  8. O otimismo firme e paciente sempre rende frutos.
  9. Todos os tempos são bons para os que sabem trabalhar e têm como fazê-lo.
  10. Nossa premissa é que daqui nada se leva. O empresário é um criador de riqueza, que a administra temporariamente.

UM PÉ NO BRASIL
Quais são e como estão as empresas de Slim por aqui
Por Eduardo Vieira

A América Móvil, controlada pelo bilionário mexicano Carlos Slim, possui apenas três negócios no Brasil, mas eles são bilionários. Juntas, a operadora de telefonia celular Claro, a operadora de telefonia fixa Embratel e a empresa de TV por assinatura Net (da qual Slim possui 49%) faturaram R$ 24,2 bilhões no país em 2006, segundo um levantamento da consultoria Teleco, especializada em telecomunicações. Ainda está longe do faturamento conjunto da Telmex e da América Móvil em toda a América Latina, que em 2006 foi de US$ 36,8 bilhões. Mas as empresas de Slim formam o segundo maior grupo de telecomunicações do Brasil, atrás apenas do grupo Telefónica. Os especialistas calculam que Slim já deve ter investido pelo menos US$ 10 bilhões no país. Quando começou a montar a filial de seu império por aqui, ele escolheu a telefonia celular como ponto de partida. De 2002 a 2003, investiu US$ 5 bilhões - entre aquisições de empresas, licenças e investimentos em infra-estrutura - para montar a Claro, nascida a partir da compra da BCP, empresa de telefonia que atuava em São Paulo. Em 2004, Slim comprou a Embratel. No ano seguinte, metade da Net.

Mesmo com esse poderio, a situação de Slim no Brasil não é exuberante. A Embratel oscila, há anos, entre o lucro discreto e o prejuízo ligeiro. O maior problema é a Claro. Apesar de disputar com a TIM a segunda posição entre as maiores da telefonia celular, foi a única do setor a perder dinheiro em 2006. Foi o único dos 12 negócios da América Móvil no continente que não obteve lucro. Dois fatores ajudam a explicar as dificuldades. Primeiro: ela consumiu muito dinheiro para ser erguida. Foi preciso consolidar cinco empresas regionais diferentes. Segundo: a Claro foi uma das poucas empresas em que Slim teve de construir uma marca do zero. Depois de perder para a Telefónica a disputa pela TIM, Slim está de olho na Telemig Celular, operadora de Minas Gerais que está entre as operações nacionais mais saudáveis e estratégicas.

 


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